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Tertúlia juntou amantes do Livro no 108º aniversário da Biblioteca Municipal

2018 05 24 autores

No âmbito do 108º aniversário da Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás, realizou-se na quinta feira, dia 24 de maio, pelas 21h00, na sala de leitura da Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, a tertúlia "Livros Interpares". A conversa sobre o livro enquanto objeto e objeto de paixões foi moderada pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, e contou com a presença do diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o figueirense José Cardoso Bernardes, do escritor António Tavares, do livreiro e editor Miguel de Carvalho e do bibliófilo Antero Urbano, para além dos muitos amantes do livro e da leitura que compuseram a plateia.

«Esta foi a primeira biblioteca onde trabalhei e a primeira por que me apaixonei», confessou José Cardoso Bernardes. Também um leitor compulsivo, o presidente da Autarquia confessou que a primeira coisa que faz quando acaba de ler um livro de que gosta «é dá-lo a alguém para ler», para depois ter o redobrado prazer de trocar opiniões sobre a obra. Mas será que estamos a fazer um bom trabalho no que toca a formar uma nova geração de leitores? A questão, lançada pelo edil, dividiu os tertulianos. José Cardoso Bernardes acredita que está em curso «uma desqualificação do livro», desde logo na escola, onde os livros ‘de leitura obrigatória’ acabam, muitas das vezes, por ser apenas parcialmente lidos, em excertos que constam dos manuais escolares. Também a política de devolução de livros emprestados a alunos de agregados familiares carenciados é, na sua opinião, desqualificadora do livro enquanto objeto que carrega, mais do que páginas, memórias. Por outro lado, porém, concorda com a leitura desses livros, ministerialmente imposta a alunos do norte ao sul, do litoral ao interior e às ilhas, sustentando que «esses livros cumprem um objetivo que vai além do prazer», tendo «potencialidades gregárias insubstituíveis» na formação de uma identidade coletiva e partilhada. O professor universitário admite, no entanto, que a leitura exige condições que, hoje, são mais difíceis de reunir: «atenção perseverante, silêncio e a crença na utilidade do livro». Menos pessimista, António Tavares, que recentemente voltou ao ensino, garante que não vê «grandes diferenças entre os leitores que encontra nas suas turmas atuais» e os que partilhavam com ele os bancos da escola há algumas décadas, defendendo que a mediação de um professor continua a ser um fator determinante para a sedução da leitura junto dos jovens. Já Antero Urbano, com uma biblioteca de mais de 6000 livros, teme pelo futuro. Com um filho de 15 anos a quem não conseguiu, até agora, transmitir o vício bom da leitura, opta no entanto por acreditar que a semente lançada em boa terra e regada ao longo dos anos acabará por dar bons frutos. Miguel de Carvalho, que chegou ao amor pelos livros já adulto, concorda, e lembrou que entre os seus clientes figuram muitos «jovens caçadores de livros».

A conversa sobre os livros estendeu-se depois a uma plateia bastante participativa heterogénea, a sugerir que, provavelmente, as notícias da morte do livro são... manifestamente exageradas.

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