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5as de Leitura com Isabel Rio Novo e Paulo M. Morais

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«O que nos enriquece são as histórias dos outros»

Numa noite fria, foi com uma dose dupla de histórias - das que se leem e das que se partilham - que a Biblioteca Municipal da Figueira da Foz aqueceu. Os escritores Isabel Rio Novo e Paulo M. Morais - recebidos com a atuação da Turma de Técnica de Interpretação Vocal Juvenil em Grupo do Conservatório David de Sousa - foram os convidados da segunda edição de março das 5as de Leitura. A presença de dois escritores não foi uma questão de sobreposição de agenda. Isabel e Paulo têm, em comum, mais do que a mestria na escrita, os mistérios dos afetos. Partilharam momentos de luta contra a doença do século e, pelo caminho, encontraram um no outro as forças para escrever e viver novos capítulos.

Isabel Rio Novo apresentou o seu «Rio do Esquecimento», um livro nascido no meio da sua pesquisa sobre o século XIX para o doutoramento que à data estava a fazer. “Sabia que não queria um romance histórico, mas queria um romance que se passasse num século passado”, explicou. A empresa colocou-a entre os finalistas do Prémio LeYa 2015. Também Paulo M. Morais sabia mais o que não queria do que o que queria para o seu romance «Ima parte errada de mim», que parte do período em que lutou contra um cancro para a abordagem do que somos e do enquanto somos. “Somos um processo descontínuo, e a memória tornou-se o meu tema principal, ou o esquecimento em que todos caímos, até as palavras, com a perda da etimologia… não queria fazer um livro sobre a doença, o cancro, mas foi o pretexto para falar de fraquezas e de forças e da morte”, esclareceu. A morte física e a outra, «a que se dá quando alguém nos nomeia pela última vez», são afinal temas que as duas obras abordam, em enredos que se desenrolam em séculos distintos, com abordagens e ritmos diferentes. O de Paulo M. Morais tem um cariz assumidamente autobiográfico. «O livro também é um manual das leituras que me acompanharam os tratamentos de quimioterapia, e uma homenagem aos seus autores. Ler ajudou-me a relativizar o que me estava a acontecer. Escrever, para mim e julgo que para todos os que escrevem, é uma catarse», admitiu. Não quis fazer do cancro o mote para a autocomiseração mas também não quis esconder-se atrás da «doença prolongada» que, todos sabem, é em 99% dos casos um eufemismo para cancro. «A doença, em especial o cancro, ainda é tabu», afirmou Paulo M. Morais. Mas também pode ser o ponto de partida para uma nova leitura da vida. «Não me preocupo tanto como antes, não faço planos a longo prazo, percebi o quanto a nossa vida é aleatória e que isso não tem de ser sentido como uma guilhotina ou um peso», afirmou o escritor, que está já a preparar o lançamento de duas novas obras. Isabel Rio Novo também tem novas páginas entre mãos. Juntos, têm muitas histórias para contar, sem tabus, sem medo da exposição. «Relacionarmo-nos é o que nos torna humanos e o que nos enriquece são as histórias dos outros», concluiu Paulo M. Morais, antes de a sessão passar para um registo ainda mais intimista, com escritores e leitores reunidos à volta do já habitual chá de limonete.

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