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ONDJAKI e JÚLIO DE ALMEIDA nas 5as de Leitura

2017 03 5as

Pai de peixe sabe nadar. O consagrado escritor angolano Ondjaki veio à Figueira da Foz, para a primeira sessão de março das 5as de Leitura, falar sobre os mistérios da vida e da literatura. Consigo trouxe o pai, Júlio Eduardo de Almeida, também conhecido como ‘Comandante Jujú’, um histórico do MPLA que, dobrados os 70, decidiu dar asas à sua veia de escritor.

Numa participada sessão das 5as de Leitura, no Auditório Municipal, coube ao Vereador da Cultura e vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, António Tavares, e ao editor da Caminho (LeYa), Zeferino Coelho, conduzir a conversa com os escritores convidados.

«Ondjaki cultiva desde a poesia ao conto, passando pelo romance. “Os Transparentes” (Prémio José Saramago e Prix Littérature-Monde), publicado em 2013, é um dos títulos mais importantes da literatura angolana», afirmou o editor. Sobre “O Convidador de Pirilampos», a mais recente obra de Ondjaki, Zeferino Coelho sublinhou o fio condutor destas “Histórias Sem Luz Elétrica», que recuperam a magia de um tempo de partilhas e amizades. «Há mais uma história, mas julgo que será maior e por isso talvez venha a ser noutro formato», antecipou Ondjaki. «Ainda não está escrito, mas sei que ainda tenho algo para contar», acrescentou. Quem também tem muito para contar é Júlio de Almeida. Depois de uma vida dedicada ao sonho de um país livre, em que frequentemente lhe coube escrever «relatórios, comunicados e memorandos», o ‘Comandante Jujú’ verteu em «Vaicomdeus, S.A.R.L.» as suas reflexões sobre Angola. «É um retrato social da Angola de hoje, muito impressivo e muito forte», disse Zeferino Coelho. «Júlio de Almeida faz parte daquela geração de angolanos que colocaram a vida ao serviço do seu país e que, agora, olha com alguma desilusão para o seu país», acrescentou. «Este não é um livro de História mas um livro de histórias», esclareceu o autor. «Tem muitas vivências, algumas pessoais, embrulhadas numa história de amor. A História dura 40 anos, a história de amor dura três dias, porque um momento de enamoramento tem mesmo de durar apenas uns dias, não pode perdurar por décadas», aduziu. «Quis falar de coisas sérias, rindo. O humor é uma forma superior de entender o mundo», sustentou. Em «Vaicomdeus, S.A.R.L.», nome da agência funerária que serve de pano de fundo ao romance, o humor balança entre o analítico e o mordaz, a tristeza e a felicidade, sentimentos que facilmente se aplicam, também, ao olhar que Júlio de Almeida lança, hoje, ao seu país, e à História angolana das últimas décadas. «Há os vivos, os mortos e os renascidos», revelou. Com os vivos identifica os que sonharam um país livre e na senda de um progresso justo; nos mortos vê os que fizeram da utopia uma realidade muito aquém e, finalmente, nos renascidos, deposita a esperança de um futuro melhor. «O capitalismo é uma fraude e o capitalismo financeiro um crime. Não sei o que vem a seguir, mas isto não serve», concluiu.

Ao longo da noite, Ondjaki e Júlio de Almeida partilharam com a plateia as muitas histórias das suas vidas, ligadas a Angola e ao mundo em geral. «Angola é um país e por isso tem corrupção. Mas também tem gente fantástica, tem cretinos e tem boa gente. É normal. É um país», resumiu Ondjaki, que vive atualmente no Brasil.

A noite terminou com o habitual convívio, regado a chá de limonete, entre leitores e escritores, e com uma concorrida sessão de autógrafos.

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