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TEOLINDA GERSÃO e as «anjas» de Francisco Simões nas 5as de Leitura

2017 02 teolinda

A escritora Teolinda Gersão, recentemente galardoada com o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2017, pelo conjunto da sua obra, foi a mais recente convidada das «5as de Leitura». A primeira sessão de fevereiro realizou-se na Sala 2 do Museu Municipal Santos Rocha, que acolhe a parte pictórica da exposição de Francisco Simões, inaugurada - juntamente com obras escultóricas e de cerâmica – a 18 de fevereiro e, por isso, também o escultor esteve presente na conversa conduzida pelo Vereador da Cultura, António Tavares, e aberta às várias dezenas de admiradores dos dois artistas.

A noite começou com música, a cargo da estudante de acordeão do Conservatório de Música David de Sousa, Ana Carolina Paz Antunes, que ofereceu à plateia as peças Little tango, de R. Galliano e Michel Portal, La Valse d'Amelie, de Yann Tiersen, a dança espanhola de D. Shostakovich e Libertango de Astor Piazzola.

Definido o tom do serão, num ambiente colorido por quadros de anjas de Francisco Simões e textos das suas sete escritoras favoritas, uma das quais a própria Teolinda Gersão, a conversa partiu precisamente deste novo projeto de Francisco Simões, uma exposição de desenhos, cerâmicas e esculturas acompanhada pelo livro «Anjas do Nosso Mundo», editado pela Labirinto das Letras, com prefácio de Guilherme de Oliveira Martins e textos de Isabel Mendes Ferreira, Isabel Ponce de Leão, Maria do Rosário Pedreira, Maria Teresa Horta, Patrícia Reis, Teolinda Gersão e Teresa Martins Marques. «Fui sempre um amigo de escritores», resumiu Francisco Simões, destacando David Mourão-Ferreira de entre os muitos amigos escritores que o acompanharam desde muito jovem. «A mulher, o corpo da mulher, as leituras, em palavras ou pedra, dessa linguagem, uniu-nos desde a minha adolescência», explicou. Recentemente, a exploração do feminino levou-o, até às escritoras da sua eleição. «Pedi-lhes que escolhessem três das minhas ‘anjas’, porque são demasiado bonitas para serem do género masculino e escrevessem sobre elas ou a partir delas», contou. Todas aceitaram. «Foi extraordinário, é uma leitura do corpo da mulher, feita por mulheres, em prosas de uma profunda riqueza poética», aduziu.

Feliz por estar na Figueira da Foz, a praia da sua infância, Teolinda Gersão saudou o desafio de Francisco Simões, que põe em comum, a bem da Cultura, artes distintas. A escritora, que «pinta e esculpe com palavras», como disse Francisco Simões, teve assim a oportunidade de revisitar o tema do feminino. «É verdade que o mundo das mulheres se alargou, também na escrita, mas esse é o campo da investigação, não o meu. Quando escrevo sou livre e, por isso, escrevo sobre o que me intriga, fascina ou preocupa, sem pensar, sequer, no leitor. Até posso estar a escrever para um leitor que ainda não nasceu», sustentou, lembrando o exemplo de Clarice Lispector, a consagrada escritora brasileira que seria ‘revelada’ ao mundo muitos anos após a sua morte, por um jovem leitor e crítico literário. Não será essa, contudo, a realidade de Teolinda Gersão, cuja obra, vasta e multipremiada, continua a merecer o aplauso dos leitores e da crítica, estando já traduzida em 11 línguas.

Ao longo da noite, a conversa passou por muitos dos seus livros, num diálogo com os leitores que, no final do serão, não perderam a oportunidade de ver os seus livros autografados. 

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